Como tudo começou - Frei Manoel de Santa Maria, custódio provincial, chegou ao Rio de Janeiro, na armada do general D. Fernando de Mascarenhas, no dia 20 de dezembro de 1638. Dois dias após, recebe uma representação da Vila de Santos; pediam a fundação de um convento da Ordem Franciscana. Frei Manoel acolhe o pedido com entusiasmo e já no dia 16 de janeiro de 1639 vem a Santos para ver o local e as condições. Muitos sítios lhe foram oferecidos. Escolheu o local do Valongo por duas razões: seria fácil introduzir água no convento e aí residiam famílias abastadas que poderiam ajudar na futura construção e também na manutenção dos frades. A construção do convento - No dia 1º de julho de 1641 iniciou-se a construção. No mesmo ano, aos 20 de outubro, fundou-se a Ordem Terceira de São Francisco e sua capela foi erguida em 1689, com arco aberto para igreja conventual. No século XVIII o Convento de Santo Antônio do Valongo foi considerado "um dos maiores da Província"; seu frontão, um dos mais lindos da época. Desapropriação do convento para ser estação de trem - Sob o guardianato de Frei Miguel de Santa Rita, eleito aos 12 de março de 1859, aconteceu a grande polêmica da construção da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. O Barão de Mauá, Irineu Evangelista de Souza, quis comprar a residência franciscana para transformá-la em estação de trem. Por carta, ofereceu ao Provincial, Frei Antônio do Coração de Maria e Almeida, 12 contos de réis, pelo conjunto arquitetônico e terrenos adjacentes. Afirmou que o local era insalubre, sendo o motivo pelo qual os frades o haviam abandonado... O Provincial, porém, não se deixou iludir pelas artimanhas e propôs: venderia por 30 contos de réis. Houve várias outras propostas e contrapropostas até que a Ordem Franciscana acabou cedendo por 20 contos de réis. Isso em apólices da dívida pública. Mais
tarde houve, por parte da Companhia São Paulo Railway, uma tentativa
de se apoderar também da igreja, chegando mesmo a baixar a picareta.
Aí aconteceu o imprevisto, os funcionários da Inglesa (nome
popular da São Paulo Railway Cia.) tentavam retirar a imagem seiscentista
de Santo Antônio de seu lugar... e não houve forças
capazes de mover a imagem. Os engenheiros da companhia enviaram novos
esforços e nada conseguiram. Diante de tal fenômeno misterioso,
abandonaram a idéia. Conta-se que houve milagres até de
conversão.
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